Harcèlement en milieu scolaire : une intervention psychologique (article du GPE)

Comme expliqué dans le Journal (GPE, Décembre 2015), le « Point écoute » du Lycée Français a comme mission d’aider les élèves de 6ème à la Terminale à s’orienter vers un meilleur bien-être. Cet espace est approprié à l’écoute active afin de parler, mieux se comprendre et discerner chaque situation pour une solution adaptée. De nombreux élèves utilisent aujourd’hui cet espace d’écoute où je garantie un cadre de confidentialité et d’éthique professionnelle.

Mon intervention au Lycée, en tant que psychologue clinique et psychothérapeute, est aussi de dimension préventive. Dans le courant de 2015 et 2016, j’ai pu travailler la question du harcèlement en passant de classe en classe de la 6ème à la Seconde. J’ai été accompagnée à plusieurs reprises par un membre du GPE (Groupe de Parents d’Elèves) Juge de profession au tribunal de Lisbonne, Ana Paula Barbosa,  qui a transmis son expérience sur cette question délicate. Je remercie fortement ce type de collaboration qui donne une expérience vivante pour les élèves. A ce sujet, je suis intervenue exceptionnellement en classe de Primaire (CE2 à toutes les CM2) en adaptant mon action aux âges auxquels je m’adressais.

Le harcèlement en milieu scolaire est défini et priorisé par le Ministère de l’Education nationale (France). En psychologie, ce sujet est fondamental et constitue un de mes objectifs au Lycée Français. Je poursuis cet objectif en collaboration avec le corps des enseignants eux-mêmes préoccupés par ce fléau.

Les élèves sont en effet confrontés à cette problématique non seulement en tant que victime mais aussi comme harceleur, ou trop souvent en tant que témoin. La recherche sur le sujet a énormément évolué ces dernières années. Il est très important que les enfants apprennent à détecter ce genre de situations pour rapidement mettre en place des stratégies qui conduisent à des solutions efficaces plutôt qu’à les détériorer, comme par exemple lorsque le harcelé(e) s’isole.

Lors de mon passage dans les classes, le thème du harcèlement a eu beaucoup d’impact et d’intérêt auprès des élèves, en secondaire comme en primaire, et a suscité de nombreuses questions et dialogues pertinents.

D’autres sujets ont été développé en 2016 comme le thème de l’Education à la Vie Affective et Sexuelle, Une introduction au service de psychologie « Point écoute » au Lycée, et des réponses aux appels spécifiques des professeurs lors de situations critiques.

La réception de tous les élèves a été excellente et mon bilan est positif pour tous les thèmes qui ont été déployés. Je constate avec satisfaction que les élèves sont toujours réceptifs et disponibles à toute intervention psychologique. Il reste évidemment encore beaucoup de travail à faire et votre collaboration sera toujours bienvenue.

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Adolescência a idade ingrata ou idade excepcional?

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Adolescere: em latim significa crescer. Efectivamente, a adolescência é uma etapa de crescimento que se caracteriza pela fase de transição da infância para a vida adulta.

Os limites cronológicos da adolescência são definidos entre 10 e 19 anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, a idade da adolescência varia individualmente e culturalmente.

Ao nível fisiológico, as grandes mudanças são as transformações dos órgãos sexuais que se desenvolvem na puberdade. A duração deste período depende de raparigas para rapazes sendo que na rapariga depois da primeira menstruação, aparece um abrandamento significativo do seu crescimento, e pelo contrário, no rapaz depois da primeira emissão de esperma, ocorre ainda um crescimento que dura cerca de 3 anos.

Em Portugal, a idade de puberdade é considerada, para rapazes entre 10 e 13 anos e para as raparigas entre 11 e 14 anos.

Recentemente, no livro “La reproduction animale et humaine” (2014), Nicolas Roux escreve no capítulo sobre a evolução da idade da puberdade nas raparigas que baixou dos 17 anos na metade do seculo XIX para 13 anos na metade do seculo XX, sendo o indicador a data da primeira menstruação.

O estudo de “Sorensen e al” (2012) também mostra que existe uma diminuição progressiva da idade da puberdade nas raparigas ao ritmo de 2,5 a 4 meses por ano ao longo dos últimos 25 anos. Tudo indica que também sucede uma alteração da idade da puberdade ao longo dos seculos sobretudo evidenciado nas raparigas.

Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, o início da adolescência é definido pela maturidade sexual. O fim é caracterizado, não pelas mudanças de ordem fisiológica, mas pelas de ordem sociocultural, isto é, pela entrada no mercado de trabalho e pelo assumir de funções sociais de adulto, como por exemplo, poder formar uma família. Por esta razão, por vezes já se considera que a adolescência pode ir até aos 25 anos…

Desta forma, o estabelecimento de uma idade para a adolescência torna-se variável devido às diferenças individuais, culturais e temporais.

O termo “adolescência” é utilizado no contexto científico em relação ao processo de desenvolvimento bio-psico e social. A dificuldade da definição do conceito é agravado pela existência de preconceitos entre “a idade das asneiras e a idade perfeita” sem esquecer que, muitas vezes, também lhe surge associada a ideia de vandalismo, delinquência, droga, entre outros.

A adolescência é um período da vida humana determinado pela profunda transformação fisiológica, psicológica, intelectual e socio-moral.

As transformações fisiológicas são da responsabilidade do sistema endócrino que controla as hormonas emitidas pelas glândulas sexuais. Nas raparigas, as hormonas principais são o estrogénio e a progesterona, e nos rapazes a testosterona. As mudanças corporais dão-se, não só a nível dos órgãos genitais, como também ao nível anátomo-fisiológico.

Verifica-se também um crescimento acentuado dos ossos da mão e dos pés, e um aumento do coração e dos pulmões. Em geral, os membros superiores e inferiores e a cabeça aumentam mais rapidamente do que o tronco. Estes diferentes ritmos de desenvolvimento trazem uma desigualdade por vezes observável nos movimentos desajeitados dos jovens.

Estas enormes alterações anátomo-fisiológicas influenciam significativamente o adolescente ao nível psicológico, pois tem um enorme impacto na forma como o adolescente se vê. A imagem que tinha do seu corpo, enquanto criança, muda de forma relativamente rápida. O adolescente procura então perceber-se e aceitar-se com essa nova representação física. A adolescência é deste modo um período de adaptação ao seu novo corpo e identidade.

O artigo escrito em 1993 por Bolognini, M., Plancherel B., Nunez R., Bettschart W, (Lausanne, Suisse) sobre um estudo longitudinal (1989-1991) mostra que esta passagem é também “um período de grande stress”. Refere que o adolescente está confrontado com múltiplas mudanças físicas, a escolha da orientação escolar, o desenvolvimento das novas funções, e as modificações das relações com os pais e com os amigos.

De facto, a sociedade exige ao jovem que tome muitas decisões para as quais ainda não está completamente preparado.

Acrescente-se, ainda, todo o processo complexo de desenvolvimento da sexualidade e da identidade sexual em simultâneo com a pressão para evitar comportamentos de risco que conduzam a doenças ou gravidezes indesejáveis, isto é, a exigência de uma sexualidade responsável, integrando a contracepção nas suas relações.

Relativamente à sexualidade, os adolescentes não tomam as providências necessárias por não medir corretamente os riscos e as suas consequências. Desta forma, frequentemente, não estimam adequadamente as possibilidades de engravidar, ou mesmo, de contrair doenças sexualmente transmissíveis, nem avaliam realisticamente as consequências.

Perante tantas solicitações, os adolescentes comportam-se de forma diferenciada à procura de se auto-afirmar. Por vezes, vestem-se ou falam de forma diferente, até mesmo para vivenciarem o choque com os adultos, numa tentativa de se perceberem como diferentes e enquanto seres individualizados. Isto não são mais do que tentativas para descobrirem o seu próprio espaço identitário.

Muitos dos comportamentos dos adolescentes incluem sonhar, isolar-se, escrever, pintar, tocar instrumentos, ouvir música. Todos eles contribuem para a satisfação de necessidades internas de autoconhecimento e do seu desenvolvimento emocional.

As transformações também se dão ao nível intelectual. Desenvolve-se o pensamento formal que corresponde ao aprender e relacionar conceitos abstractos e que passa por interrogar, desenvolver o raciocínio hipotético dedutivo, argumentar e criticar. Todas estas capacidades cognitivas de abstração permitem alargar as perspectivas do adolescente, como o aprender a reflectir antes de agir, exprimir argumentos para lutar pelas suas ideias e saber discuti-las. O adolescente procura uma exigência de coerência nas discussões, no questionamento dos problemas, sabendo distanciar-se relativamente aos conflitos emocionais e tentando abstrair-se deles. O jovem defende uma filosofia de vida que lhe seja importante para a formação dos ideais pessoais. Tudo isto para ter um melhor entendimento de si próprio e do mundo que o rodeia.

Esta competência intelectual leva o adolescente a interessar-se por problemas éticos, ideológicos e sociais. Neste sentido, efectua também uma mudança a nível socio-moral. Defende as suas ideias e opta pelos seus valores sociais próprios. Lealdade, coerência, justiça social, liberdade e autenticidade são alguns dos valores defendidos. Quando o adolescente se apercebe de que a sociedade não está em conformidade com os valores que defende, revolta-se e opta facilmente por uma atitude muito radical, manifestando-se de várias maneiras. Procura quase sempre uma perfeição moral da sociedade e dele próprio.

Todas estas alterações, tanto psicológicas como intelectuais e socio-morais, trazem ferramentas para enfrentar os desafios da vida adulta. No entanto, a adolescência não é um período fácil. Os sentimentos são frequentemente muito fortes, novos e problemáticos. Os adolescentes vivem com estas novas pulsões, que por vezes são tão fortes, que os levam a ter comportamentos radicais.

A grande pergunta nesta fase é: “Mas quem sou eu?”

A esta dúvida junta-se, por vezes, a dificuldade do adolescente encontrar a sua identidade ao nível da sua orientação sexual. A orientação sexual reporta-se à atração para o sexo oposto, o mesmo sexo ou para ambos os sexos. A dúvida de orientação ocorre por encontrar dificuldade em gerir as suas pulsões e a sua identidade. Por vezes, as várias experiências têm apenas como objectivo a descoberta de si e do outro. As experiências homossexuais e/ou heterossexuais não definem, por si só, a orientação sexual, pois podem fazer parte da exploração do processo de identidade e orientação, podendo ser temporárias.

Se essa mesma pergunta for vivida intensamente, pode ainda criar um mau estar geral e um vazio tão grande que os adolescentes passam por uma fase de depressão podendo mesmo pensar no suicídio. Felizmente estas sensações difíceis também podem ser efêmeras. No entanto, convém estar atento aos sinais de mal-estar prolongado e examiná-los com o devido cuidado.

O período da adolescência é um período que deveria ser alvo de maior atenção e cuidado por parte das escolas e das instituições de saúde pública.

Por outro lado, convém não esquecer que o desenvolvimento intelectual do adolescente se pode destacar da normalidade.

Muitos dos grandes ideais da humanidade vieram dos jovens. Temos que agradecer aos adolescentes as suas atitudes que permitem e contribuem para a evolução da sociedade. São os jovens que empurram as pessoas mais velhas e mais resistentes à mudança.

Embora a adolescência seja considerada uma fase ingrata, é na realidade uma fase em que os adolescentes investem e impulsionam as sociedades. É uma idade extraordinária.

Obrigada adolescência.

 

“Toda a gente é uma estrela e tem o direito de brilhar.” – Marilyn Monroe

 

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September 13, 2015 · 5:54 pm

Adolescência

Será o tema do Psicologicamente Falando desta terça-feira 23 de Junho.

Há assuntos do quotidiano que nos desgastam, quer física quer psicologicamente. Um deles pode ser o modo como encaramos essa fase tão especial e complicada que dá pelo nome de adolescência. Todos por lá passámos. Mas agora, que é a vez dos nossos filhos, cabe-nos a nós tentar entender as suas razões, formas de pensar e agir para assim melhor os podermos compreender e com eles melhor podermos conviver. Será essa a prioridade desta sessão de “PSICOLOGICAMENTE FALANDO” com a psicóloga Magali Stobbaerts, que assim irá tentar ajudar a que melhor possamos evoluir em harmonia uns com os outros, mais novos e mais velhos.

 

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June 22, 2015 · 11:49 pm

A CONFIANÇA

Psicologicamente Falando será na terça-feira 21 de Abril sobre o tema da “Confiança”.

Dar o primeiro passo para a confiança é conseguir expressar-se.

Proponho então de falar sobre as suas dificuldades, daquilo que sente, do como vê o mundo, do que deseja na vida como meio para ajudar a ganhar confiança e autoconfiança.

A força da confiança permite evoluir, superar as dificuldades pessoais e desta forma determinar uma melhor autonomia pessoal, e relações sociais mais positivas.

“Confia em ti primeiro e em ti depois.” do poeta Ramón María de las Mercedes de Campoamor y Campoosorio (1817-1901)

• 21 ABRIL • TERÇA-FEIRA • 20h15 às 21h30

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April 16, 2015 · 1:10 pm

“Quando se sofre de Bullying”

É o tema do “PSICOLOGICAMENTE FALANDO”

10 MARÇO • TERÇA-FEIRA • 20h às 21h30 •

O que é o Bullying; Como se proteger do bullying; Ajudar pais e filhos que vivem este inferno; Ultrapassar as dificuldades psicológicas.

A psicóloga Magali Stobbaerts propõe reunir no Prema Yoga um grupo de pessoas cujo interesse comum seja tentar encontrar modos de resolução para os problemas debatidos. Esta semana o tema foca esta questão bastante actual e que afecta imensas famílias um pouco por todo o lado, a qual serve de ponto de partida para uma sã partilha de vivências, de experiências, de tristezas, alegrias, quaisquer situações do dia-a-dia para as quais possa ser encontrado um caminho que proporcione uma vida mais serena e saudável. Porque é a conversar que tudo se resolve.

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March 6, 2015 · 8:17 pm

“Nunca lhe diga que ele é igual à própria mãe”

“PSICOLOGICAMENTE FALANDO”, 10 FEVEREIRO,  TERÇA-FEIRA às 20h15

Tema: “NUNCA LHE DIGA QUE ELE É IGUAL À PRÓPRIA MÃE” – A facilidade em tentar fazer psicoterapia em casa; A facilidade em interpretar os comportamentos do outro; Como este tipo de comentários podem minar a relação; Saber falar do que o preocupa, saber ouvir o outro.

Proponho reunir no Prema Yoga um grupo de pessoas cujo interesse comum seja tentar encontrar modos de resolução para os problemas debatidos. Esta semana o tema foca a facilidade em tentar fazer psicoterapia em casa e em interpretar os comportamentos do outro, evitando certo tipo de comentários que podem minar uma relação. Basicamente, a importância em saber falar do que preocupa o outro, em saber ouvi-lo. Daqui se parte então para uma sã partilha de vivências, de experiências, de tristezas, alegrias, quaisquer situações do dia-a-dia para as quais possa ser encontrado um caminho que proporcione uma vida mais serena e saudável. Porque é a conversar que tudo se resolve.

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